terça-feira, 27 de setembro de 2011

Negra



Tenho a pele rica como petróleo
Que carrega a marca do sofrimento
O desgaste dos meus antepassados
O que jamais ficará no esquecimento
Os choros em seu prantos
A dor de se sentirem fracassados
E dos males que espantavam em seus cantos
Sou negra

Sou negra sim
Fui discriminada por alguma razão
Fui farrapo para os brancos, 
Fui pisada como se fosse chão
Fui um trapo com coração
Fui varrida, distratada
Fui batida e abusada
Fui ninguém
Mas hoje sou alguém


Sou o meu próprio orgulho
Sou a victória com cor
Sou a vingança com sabor
Sou também paz e amor
Porque sou negra,
Sou o mal e o rancor


Sou preta sim
Descendente de lágrimas implacáveis e severas
Represento tristeza, maldade, luto e caveiras
Sou a voz de milhares de pioneiros
Sou a roupa que veste o injusticeiro
Sou negra

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