segunda-feira, 24 de março de 2014

Suspiro Ausente

Estive a ler velhas mensagens, voltei a ler um dos teus livros favoritos, procurei o meu segundo diário mas a preguiça tomou conta de mim e acabei aqui no sofá, sentada com os meus pensamentos vagueando pelo nosso armário.
Peguei o caderno que estava em baixo da mesa com as folhas de papel  meio acastanhadas, talvez porque são recicladas, ou simplesmente é a cor do papel, sei lá... Usei a tua esferográfica com tinta preta que estava no copo de utensílios em cima da mesa, comecei a escrever tudo aquilo que eu senti, enquanto lia todo material que te trazia para mais perto de mim, e me perdi mais uma vez no baú das recordações.
Encontrei cacos de um coração devorado pela mágoa da tua partida. Sim, magoaste-me porque partiste e partindo, partiste o meu coração. Se ao menos soubesses o estado crítico em que me encontro, tenho plena certeza que preparavas um encontro entre nossos seres e não somente nossos corpos, deixaria de fadas e contos, ou talvez fraldas e descontos.
Como uma bebe de colo tenho me comportado, só para ver se ganho um pouco dos teus cuidados, para acalmar minha alma e deixar meu coração confortado, mas a vida não é sempre como esperamos. Tenho me sentido tão sozinha, cada vez mais singular...
Tua presença é uma necessidade vital para minha alma, o teu toque aquece meu ser frio, estar ao teu lado completa meu vazio, e a alegria flui de mim como se fosse rio.
Nada disso mais existe, nem sorrisos de verão, nem alegrias de primavera. Existe pois tristeza de inverno na emoção e quedas consecutivas, como folhas de outono que caem e morrem no chão.
Bem, deixa-me voltar a realidade. Nessa altura, só me restou desligar a televisão porque quis ouvir o sonido da melodia silenciosa, como se fosse você a tocar para mim. Absorvi sentimentos paralíticos quando ao tentar compor uma canção, peguei a minha guitarra que estava encostada na parede do canto direito da sala, e enquanto dedilhava sobre as cordas douradas que atravessavam o corpo da mesma, o som parecia o teu suspiro perto do meu ouvido. Parei várias vezes para te sentir mais perto, mas o som ecoava simplesmente o teu suspiro ausente que alimentava minha saudade presente.

Karen K 

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