sábado, 17 de maio de 2014

Amor Próprio - A Base do Bem-estar

 Sempre me interessei por coisas consideradas fora do normal na minha cultura. Não sou nem um pouco organizada, não vejo graça na arrumação excessiva, nem entendo porquê essa divisão de papeis sociais.
Cresci a ouvir a clássica frase, ''tu és mulher'' enquanto me obrigavam a fazer uma série de trabalhos domésticos que eu detestava, ao passo que os rapazes lá de casa tinham sempre mais tempo para serem imaturos e jogarem futebol. Apesar da raiva que sentia na maior parte das vezes, de alguma forma aprendi a amar a minha família incondicionalmente e acho que esse foi o segredo para eu me libertar da gaiola que um dia tentaram me enfiar.
As expectativas de que eu cumprisse com as minhas obrigações de menina sempre estiveram presentes em todo sítio. A sociedade sempre impôs as suas regras sobre a minha pessoa, mas infelizmente (ou felizmente) eu não sou conformista. Tenho sempre a sensação de que preciso ser fiel à minha própria razão; preciso viver para me agradar, para alcançar a satisfação própria e não importa o que os outros pensam ou falam. Essa linha de pensamento é o meu modo de vida desde os meus dezasseis anos e não estou disposta a mudar. Não faço isso de propósito nem porque sou esnobe, muito pelo contrário... Sou uma pessoa que aprecia o seu próprio livre arbítrio.
Desde os tempos mais remotos que eu sou considerada um homem no corpo de mulher, nunca entendi porquê... Minhas colegas me chamavam de Maria-Homem porque gostava de jogar futebol e amava a ideia de calças e sneakers ao invés de vestidos e saltinhos altos. Até hoje ainda aprecio essa liberdade no vestuário masculino mas de certa forma aprendi a gostar de tudo aquilo que me identifica como mulher.
Muito além de acessórios de marca, é a paz comigo mesma. Não tem melhor coisa do que acordar e dizer: ''Você é o máximo! Pronta para arrasar?'' Dar uma gargalhada bem gostosa na frente do espelho e ir para luta. Nada melhor do que tomar um bom banho, cozinhar a comida preferida e relaxar, ir alugar um bom filme, imitar os cantores da tv, cantar bem alto as músicas de Michael Jackson, ler um livro ou então sair para jantar sozinha. SOZINHA? Sim, sozinha, ser feliz sozinha, agradar o seu próprio eu, porquê tanto medo da solidão?
Aprendi a me suportar há muito tempo atrás, aprendi a me amar como sou, aprendi a sorrir para mim mesma, a competir comigo mesma e viver simplesmente por mim e para mim.
Vivemos numa sociedade onde a solidão maltrata as pessoas, a isolofobia tomou conta de uma boa parte do planeta terra e tem um monte pessoas vivendo uma vida de ilusão, simplesmente porque têm medo de estarem sozinhas. Cá para mim, isso é falta de amor próprio e falta de auto-conhecimento, se você não se suporta, quem te vai suportar?
Bora viver por nós e para nós mesmos, amar primeiro a pessoa que nós somos. Porque se não somos capazes de nos amarmos, não poderemos amar ninguém nem ser amados.


Melhores Cumprimentos,
Mónica Queiroz


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