sexta-feira, 11 de julho de 2014

Galáxia de Angústia

A tua coleção de CDs ainda está em fileira na estante da sala, pensei em ouvir qualquer música que trouxesse um pouco de nós para acalmar a minha saudade e trazer uma pequena ilusão da tua voz. Lembro-me perfeitamente das tardes que passávamos no sofá de casa a jogar conversa fora ou a debater enquanto ouvíamos uns dos teus CDs repetidas vezes até eu dizer chega; os nossos risos sem contradição, a nossa alegria que gritava e pairava sobre os quatro cantos da casa, o nosso amor que dava um outro aroma e a nossa felicidade que era a minha vida.
Hoje, perdi-me a olhar para os milhares de CDs que deixaste aqui em casa, pensei nos lugares para onde fomos várias vezes só para ter um segundo a mais de felicidade, lembrei das nossas brincadeiras enquanto apreciava a mera desorganização de alguns deles, parecia que eu via uma imensidão de um nós transbordando na sala, afastando a mesa de centro e cortando a minha fala.
Desvaneci enquanto olhava para ti, entristeci quando tentei te tocar e vi que não passava de um produto da minha mente doente, da minha alma que não mente e da minha saudade rezando para que te invente.
Não penses que está ser fácil para mim, busco consolo em memórias perdidas e saudades escondidas, busco abrigo num leito que rejeita o que há de mais valioso em meu peito. O que queres tu, de mim? O que eu posso fazer para te provar que sem ti, existe um vácuo no meu íntimo e uma galáxia de angústia em minha alma; existe uma voz que grita para você voltar, pedindo apenas para me amar...

Karen K

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