sábado, 17 de janeiro de 2015

Vasos de Tristeza

Sentada no sofá da sala, com as persianas entreabertas, sinto os raios de sol atravessando o meu rosto... Queria-te aqui sentado, com as pernas no meu colo e, enquanto eu bebo o meu chá de pêssego hortelã, tu estarias a beber o teu batido de papaia, provavelmente reclamando do filme que estaríamos a ver, porque eu sempre escolho drama quando tu queres ver ficção, ou comédia romântica, quando tudo que queres é acção. As nossas diferenças sempre estiveram na superfície da nossa relação, bem salientas, para que todo e qualquer ser humano que decidisse nos apreciar, notasse o quebra-cabeça que somos... Mas tem-se dito que não se montam quebra-cabeças com peças iguais, então presumo que esse não foi o motivo que te fez bater a porta, quando decidiste ir embora.
Podia começar por te explicar que desde então, eu me sinto num salão de festas, olhando para todo mundo a se divertir, enquanto eu, sentada, aprecio os sorrisos e as gargalhadas que outrora foram o meu estilo de vida, quando sem dívidas com o destino, tu fazias parte de mim e separação não cabia na nossa definição de afins. Eu podia jurar que jamais se quebrariam os meus vasos de alegria, porque tu não me deixarias com a alma vazia. Eu acreditava que eles seriam regados com paciência mas depois de ter saboreado a falta da tua presença, vasos de tristeza têm sido carregados com a tua ausência.
Tenho tentado descobrir que mal te fiz eu, para me arrancares a única fonte de felicidade que eu tinha: nós! Fico perdida a imaginar, momentos como agora, em que sentada no sofá, tudo que eu queria era te ouvir, ou talvez discutir; momentos como agora, eu só quis te envolver nos meus abraços e sentir teu cheiro em mim, depois de um forte abraço... Será que não percebes? Eu parei de existir quando soprou o vento da tua partida, eu parei de ter vida.


Karen K

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