quarta-feira, 29 de outubro de 2014

A Vida Como Eu Sei

Sempre fui o tipo de mulher ou quem sabe menina, (porque ainda não aprendi o suficiente para me julgar adulta) com tendência ou inclinação à coisas que batem de frente com os padrões estabelecidos pela sociedade. Nunca entendi se é natural ou resultado da nutrição oferecida pelas circunstâncias da vida o facto de eu ter os meus pezinhos no chão na maior parte das vezes.
A verdade é que quanto mais cresço mais aprendo que a vida não é essa expectação ardente de um final feliz e acho até que já mencionei isso antes. Acho que o ponto de viver não é buscar um final feliz, não é chegar no topo da montanha e olhar a vista de lá em cima, nem acho que é trabalhar, trabalhar, ou estudar, estudar, até um dia, quase no final dos meus dias, desfrutar só um pouco do suor do meu trabalho.
A vida é agora, viver é para hoje, não adianta guardar nada para depois. Nem amor, nem felicidade, nem gozo, nem paz, nem mágoas, nem rancor ou até mesmo sede de vingança. 
Aprendi nesses meus poucos anos de vivência que por mais que nós façamos o bem, existem pessoas que pura e simplesmente sentirão a necessidade de nos fazer o mal. Umas não vão gostar do nosso génio, outras do nosso jeito; ou seja as pessoas nunca estarão satisfeitas com quem nós somos. Principalmente quando nós escolhemos viver cada pedaço de nós mesmos ao máximo. Tanto os defeitos como as qualidades, quando nós escolhemos ser inteiros, mostrar quem verdadeiramente somos e encolhemos todos aqueles que vivem e se contentam com metades, como se estivessem no solo a ver o cosmos.
Existem coisas que eu questiono e talvez um dia a vida me vá dar uma resposta plausível para satisfazer a fome de conhecimento que tanto embrulha o meu estômago, mas enquanto isso, não viverei para agradar meros mortais como eu que geralmente não mudam nem um ponto ou vírgula no enredo da minha história de vida. 
Ficamos tão preocupados em incutir pessoas e padrões que não se alinham com a nossa personalidade, nem com o nosso modo de vida e muito menos com a nossa visão do mundo. Nos deixamos magoar pelas pessoas que menos valem a pena e acabamos por magoar as pessoas que dariam o mundo só para ver o nosso coração sorrir.
Isso é tão absurdo! Por essas e outras é que passei a analisar quem e o que é real na minha vida e aprendi a não me deixar levar pelo fogo de palha dos relacionamentos humanos e as emoções momentâneas do meu pulso carnal. 
Almejo viver uma vida simples e feliz hoje, não tenciono deixar para amanhã. Também não tenciono deixar em minha vida profissões ou ofícios que não satisfazem o meu eu nem pessoas que ao invés de sol, só trazem nuvens negras no meu céu. 
A vida é muito simples, nós é que a complicamos. 


Mónica Queiroz 
(A Sensata)

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