terça-feira, 9 de setembro de 2014

Um Mundo Só Meu

Se tentasse viver para agradar a sociedade, talvez não passasse maior parte das minhas madrugadas trabalhando em projectos para ser a tal mudança que tanto desejo ver. Já ouvi tantas teorias de felicidade e não absorvi nenhuma, acho que é por causa da minha teimosia e do orgulho de querer errar só no meu eixo de expectativas, sem apontar dedos à ninguém a não ser para mim mesma.
O meu ser egocêntrico e no entanto altruísta, me permite viver para mim mas não me deixa esquecer dos outros. Sim, eu me doo para ver seres humanos felizes só porque me foi provada a regra de semear e colher mas ainda assim não vivo buscando algo em troca e talvez seja por isso que tenho agredido bruscamente a sociedade que tenta me fazer acreditar que ser igual aos outros é bom.
Não tem cabimento, temos impressões digitais para nos provar que nascemos, somos e devemos ser únicos e não tentar nos encurvar aos padrões criados pela sociedade. E essas ideias fixas que eu tenho são motivo para eu ser criticada directa  e indirectamente, porque não finjo dor, e tranco a cara quando alguém não merece o meu favor.  Que culpa tenho eu, por não esperar viver um amor extraordinário? Tenho mantido meus pés no chão e vivo a dar asas à minha imaginação.
Se olhar ao redor, e sentir pressão sobre a minha vida, fecho-me e vivo sozinha. Pessoas se estranham quando percebem que não sou o estereotipo de mulher que tanto desejam manter na infâmia sociedade, uma espécie de civilização urbana que tem sede de manter uma tradição que eu não consigo me enquadrar.  A pressão vai desde a forma como eu penso até à minha aparência. Mas logo percebi que não preciso mudar para me enquadrar, a sociedade não me serve, e eu não posso me matar em dietas para tentar caber nela.
Engraçado não? Durante muito tempo pensei que eu devia pedir desculpas por ser essa pessoa nativa de marte e estrangeira no planeta terra mas mudei de opinião à medida que fui vendo um mundo que não tenta ter a mesma opinião de paz e só tem um conceito de guerra. 
Então, criei um mundo só meu, onde talvez um dia, alguém se identifique com o meu eu e haja mais harmonia do que guerras debaixo do mesmo céu.

Mónica Queiroz ( A Sensata)

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