sábado, 23 de janeiro de 2016

Ser Amigo

Hoje, olhando para dentro, fiz a velha questão, de ser ou não ser, no campo amistoso.
Afinal sou ou não sou um amigo? O que é a amizade?
É que depois de tantas decepções com pessoas, as quais eu considerei "amigas," me vi obrigado a pensar naquilo que faz de mim um amigo.
Já fui o tipo de pessoa que fez de tudo pelo amigos; já levei porrada por causa da cumplicidade; já fiz papel de estúpido; já carreguei culpas que não eram minhas, ignorei desculpas mesquinhas, fiz favores atrevidos, e tudo que quis era sentir que todo esse sentimento era recíproco.
Nunca pedi que me dessem presentes caros, ou me dessem banho depois de uma noite de bebedeira. Só me irritava muitas vezes com o facto de ser sempre eu a dar o braço a torcer e a correr atrás das pessoas porque achava que amizade deve ser uma coisa eterna.
Com o tempo percebi que as coisas não são bem assim... Tudo que é forçado, dói! Desde sapatos até relacionamentos. A amizade não está alheia à essa teoria.
Durante muito tempo defendi que era necessário manter as pessoas em minha vida. Eu precisava olhar um dia para os meus amigos e ver que em todo o tempo eles não me abandonaram, não me deixaram, não largaram a minha mão... O que eu não sabia é que a vida é emergente e as pessoas são diferentes.
Existem amigos descartáveis, que estarão connosco hoje e depois nunca mais os veremos, só estão numa certa circunstância da nossa vida, outros cumprem uma escala, só aparecem em algumas fases (sejam elas boas ou más) e outros, que são presentes, independentemente dos temporais.
Mas hoje a minha questão olha para uma direção: a aceitação. As vezes nos afastamos de amigos por causa de maus comportamentos, por causa de defeitos, de manias, de anseios e por aí fora.
Quando consideramos alguém nosso amigo, será que não estamos a dizer que aceitamos a pessoa com todas as suas crises e imperfeições?
Eu cheguei a conclusão que nós não aceitamos os amigos como eles são, nós convergimos nas qualidades mas quando chega a hora dos defeitos, pura e simplesmente divergimos. Isso para dizer que nós abraçamos aquilo que toleramos.
Sendo que, se um amigo meu é traquino e eu tolero traquinice, então este será mesmo meu amigo, com poucos riscos de choques. Ao passo que, se um amigo meu é  impaciente e eu não aturo impaciência, não poderei manter a amizade. Porque nós somos seres tão egoístas, que achamos que os outros têm que nos aceitar, tal como somos e não nos julgar pelo nosso jeito de ser. Ainda que digamos que não obrigamos ninguém a ficar, o ser humano sente essa necessidade... Então eu me pergunto, porquê não fazemos esforço para aceitar os outros? Porquê que achamos que somos a última bolacha do pacote e não nos doamos à um sentimento tão sincero?
O que nos torna amigos? Serão os favores? As coisas em comum? Os sonhos? Ou será o facto de aceitarmos o outro como um ser imperfeito e que apesar dos defeitos, serve para apoiar a cabeça nos nossos ombros e nos oferecer seu peito?

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