domingo, 19 de fevereiro de 2012

Mistério

No meu íntimo tem o saber
Que não aplico por querer
Me abdico sem entender
Tranquilo não fico sem ver

No meu eu tem um segredo
Que eu não conto para ninguém
Onde escondo minha força e meu medo
Onde vive um desconhecido também

Na minha face brilham olhos contraditórios
Tem um receptor completamente emigratório
Um emissor inconscientemente ilusório
E um respirador que inala oxigénio fazendo seu repertório ...

No meu pescoço tem um nó ambulante
Que amarra minhas palavras de forma intrigante
Um nó que amarra minha garganta ofegante
E me engasga, me apoquenta a todo instante

No meu peito tem uma caixa que respira
Um enganador que consome minha ira
Reside um ludibriado que se alegra com mentiras
E um desejo sem direcção mas que ao vento se atira

Nos meus pés tem o cansaço das minhas caminhadas
Tem a experiência de cada pedra tropeçada
Tem a lembrança de uma flor despedaçada
E ainda tem o veneno da cobra por mim esmagada

Na minha cabeça tem um conjunto de porcarias
Onde reside meu nervosismo e anomalias
Onde se comprime meu espírito de tristeza e alegrias
Onde se encontra o meu gosto por sabedoria...

No meu ser vive um mistério por descobrir
Reside um chorar coberto de sorrir
Brilha um luar ou um sol a fugir
Tem um pensar com cede de sentir...

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